quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Contaram-me um dia...


Estava sobre o telhado de casa, olhava as nuvens lá fora... era um dia calmo e frio, e uma chuva de inverno se aproximava devagar, arrastada pelo vento. Sabe quando se respira o ar gelado, e ele entra abrindo e refrescando os pulmões, como se fosse a primeira vez que respiramos? Pois então... eu fiz isso. Algo como uma luz aproximou-se, como que saida do sol, tinha o formato pentagonal, com luzinhas coloridas em volta, em cada ponta havia uma cor diferente que pulsava.

Ela parou por cima de mim, e me olhava com a mesma curiosidade com que eu a observava. Ficamos ali, os dois, como seres passivos, esperando um a reação do outro. Esse tempo foi longo. Eu gostei daquela situação. Havia paz naquilo tudo, e um misto de indefinível mistério, que eu queria que jamais terminasse... penso que a parte de lá também sentia o mesmo. Era algo do tamanho de um ser humano, não me parecia eletrônico ou mecânico. Era mais como um reflexo difuso na água.

Aquela bela coisa se contorceu e torceu-se em si mesma, e desceu da pequena altura em que estava para fazer-me companhia sobre o telhado. Mas agora ela tinha a peculiar forma humana, forma perfeita penso eu, a forma que melhor trabalha a pressão atmosférica aliada à força da gravidade, e que também distribui da melhor maneira a capacidade cognitiva do cérebro à capacidade mecânica do corpo. Enfim... foi assim que se apresentou a mim.

Tinha a pele azul, um azul-esverdeado-fundo-de-piscina, e a altura de um homem comum. De olhos grandes, não grandes como os que vemos nos extraterrestres de filmes, mas grandes o suficientes para deixar impresso ali suas emoções. Digo isso por que eu lia perfeitamente em seus olhos as suas emoções, e dava pra saber quando ele estava triste ou alegre, apenas olhando os seus olhos. A boca era pequena, mas não pouco formosa, podia se dizer que ele tomava sopa por um canudinho, mas sem fazer barulho. Quando ele falava, ou queria falar, na superfície de sua pele dançavam luzes multicores, às vezes como serpentes que subiam e desciam, às vezes como confetes que se jogam pra cima e deixa-se cair, semelhante em muito, aos peixes que vivem em regiões abssais. Eram muitas cores, e o efeito delas em sua pele azulada era algo como "indescritível e maravilhoso".

Ele, ou ela, sentou-se ao meu lado, como um amigo faria ao encontrar o outro sentado na beira da estrada sem fazer nada, e sorriu pra mim com os grandes olhos negros.

Contou-me certas coisas, das quais, confesso, não ter entendido a grande maioria, embora desejasse muito, pois transpareceu ser de grande sabedoria e verdade, e até mesmo reveladoras. Reveladoras a ponto de deixarem perplexos os mais ousados cientistas e a mais absurda equação matemática ainda não criada pelo raciocínio abstrato de padrão humano - ainda bem que eu não entendi nada.

O pouco que entendi, dizia respeito ao fato de que muitos já sabiam da existência de seres como ele. Mas o medo de muitos da nossa gente, de perderem privilégios, de negarem coisas pelas quais lutaram tanto pra defenderem, de contradizer credos filosóficos e religiosos, relegaram ao último posto a verdade.

Ao omitirem tantas coisas reais, deixamos para trás a verdade.

Ao defenderem teorias econômicas exploradoras, temendo admitirem que outros serem só alcançaram a verdade ao se apoiarem mutuamente e dividirem. Admitir que seres evoluídos aqui cheguem, é admitir mudanças profundas na sociedade. Seres evoluídos não aceitam o nosso sistema e a nossa política (até nós sabemos que ela é errada).  Deixamos pra trás a chance de mudança.

Ao defendermos teorias construídas sobre apenas 300 anos de ciência, em benefício a uma minoria abastada e interesseira, em detrimento de bilhões de pessoas e de bilhões de possibilidades além de lógica matemática e especulações. Deixamos para trás a justiça.

Perguntei por que não se apresentam, mesmo contra a vontade humana. Eles são pacatos, sábios e justos demais pra isso. O mundo é nosso, e fazemos dele o que quisermos - bem justo isso. Pensei eu.

Eu me senti envergonhado, porque em tudo ele era diferente da espécie humana. Não falo fisicamente, mas como Ser, como Pessoa. E era de tal forma diferente, que ele não nos deixou pra trás, e fazendo um paralelo com a humanidade, penso que ele nunca deixará.

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